Como ficam as políticas de diversidade e inclusão na era trumpista?

Empresas precisam se posicionar e considerar as leis brasileiras em relação à diversidade (Foto: JIM WATSON POOL AFP via Getty Images)
JIM WATSON POOL AFP via Getty Images

No dia 20 de janeiro, Donald Trump assumiu – mais uma vez – a presidência dos Estados Unidos, e uma de suas primeiras ofensivas foi contra as políticas de diversidade, equidade e inclusão (DEI)

Para os órgãos do Governo Federal, ele ordenou a eliminação de tais programas. Junto às organizações privadas adotou uma conduta de ameaça: aquelas que não seguissem com sua ideologia (conservadora) corriam o risco de verem seus contratos rompidos. 

Por lá, há tempos, havia uma série de empresas que investiam nesse tipo de iniciativa, tanto na esfera pública quanto na privada, e passaram, de forma quase  orquestrada, a recuar e abandonar esses posicionamentos. Por aqui, no Brasil, o noticiário, os profissionais e pesquisadores da área e, claro, os grupos minorizados – afetados diretamente por tais políticas – manifestaram sentimentos de preocupação e até pessimismo

Diversidade e Trump

Desde que voltou ao poder, Trump assumiu uma postura combativa contra as DEIs e, vem incentivando a onda conservadora. Empresas como McDonald’s, Microsoft, Harley Davidson, Walmart e Nissan Motors foram apontadas como organizações que estariam abandonando seus programas de diversidade e respondendo a favor do retrocesso. 

Entretanto, esses comportamentos corporativos já dão sinais de mudança de rota desde a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que proibiu o uso da ação afirmativa em admissões universitárias, em 2023. A postura trumpista “apenas” reforça o que já vinha sendo feito, talvez com menos mídia. 

Mas, até que ponto, influenciadores/ativistas conservadores americanos estão aproveitando o momento para gerar mais medo e criar alarde, dando mais peso aos fatos do que realmente possuem? Seria uma estratégia? 

Brasil possui legislação a favor da diversidade

Contudo, vale lembrar que por aqui, esse movimento das corporações olharem para a questão de diversidade como política interna, foi e é influenciado pelas multinacionais. Embora tenha alcançado mais repercussão a partir dos anos 2000, o tema está na agenda das universidades norte-americanas pelo menos desde a década de 1970. Seria natural, então, que empresas mais maduras em relação as DEIs não necessitem de metas para provarem suas conquistas? 

Como diria a letra Divino Maravilhoso, de Caetano Veloso e Gilberto Gil, “é preciso estar atento e forte”. Apesar do Brasil contar com legislações como a Lei de Cotas (2012), sancionada em 2023, pelo presidente Lula, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que valoriza a diversidade étnico-racial, linguística, cultural e regional, a Lei nº 10.639/2003, que inclui no currículo escolar a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira e africana, com a tipificação penal a discriminação contra pessoas LGBTQPIAPN+ pelo Supremo Tribunal Federal, na prática, seja no campo da educação, da justiça ou do trabalho, a igualdade consiste em tratar de modo desigual os desiguais.

Retrocesso americano, oportunidade para o Brasil

Dessa forma, o atual cenário americano de retrocesso pode ser um momento oportuno para as organizações nacionais e empresas internacionais instaladas aqui se posicionarem com mais firmeza a favor das DEIs

Não faltam estudos e relatórios que apontam os ganhos quantitativos como inovação e produtividade, e qualitativos como reputação, para as empresas que investem em políticas de diversidade, equidade e inclusão. Tratar de tal temática é sobretudo cuidar de saúde mental e direitos humanos.

O que são políticas de diversidade?

Tais políticas/programas abrangem medidas como:

  • a realização de censos nas instituições para melhor entendimento sobre as suas realidades; 
  • atenção à forma e aos critérios de contratação e de promoção; 
  • equidade salarial; 
  • capacitações para compreensão sobre os grupos minorizados; 
  • seleção de fornecedores; 
  • atenção à saúde mental e outras medidas que objetivam criar ambientes seguros e com uma cultura inclusiva forte para todas as pessoas profissionais, em especial, para populações como LGBTQIAPN+, negros e indígenas, pessoas com deficiência, imigrantes, entre outros.

É preciso estar atento aos movimentos trumpistas, firmar posicionamentos em prol da diversidade, equidade e inclusão para não comprometermos o futuro da humanidade.