Usina da Comunicação promove evento “LGBTI+ e empregabilidade”
Este é o sexto bate-papo com a temática de diversidade liderado por Claudia Abreu Campos, Sócia-Diretora da agência

Na quarta-feira, 28/08, a Usina da Comunicação, em parceira com o Grupo Cataratas, BR Petrobras e GPTW Rio, realizou a roda de conversa “LGBTI+ e empregabilidade”. O evento aconteceu no auditório do AquaRio e reuniu um público de aproximadamente 80 pessoas de diferentes empresas e instituições. A mesa contou com as participações de Julio Moreira, Diretor Financeiro do Grupo Arco-Íris; Robson Lourenço, Head de Gente, Cultura e Carreira do Grupo Cataratas; Nicole Alice, Jovem Aprendiz de Gente Cultura e Carreira do Grupo Cataratas; Renan Moura, Doutorando em Administração pela Unigranrio e Bruna Benevides, Secretária de Articulação Política da ANTRA. A mediação foi de Denise Barros, professora PPGA Unigranrio.

 

LGBTI+ e Mercado de Trabalho

Para abrir a conversa, Julio Moreira, Diretor Financeiro do Grupo Arco-Íris apresentou uma pesquisa realizada pela própria instituição. O estudo contou com a participação de 50 pessoas LGBTI+ e trouxe dados focados na situação socioeconômica e a posição do mercado para este público. Entre eles, o percentual de 38% de empresas que possuem restrições para contratar homossexuais e, além disso, apenas 18 participantes da pesquisa, em um universo de 50, estão no trabalho formal. Moreira também ressaltou um dado divulgado pelo Banco Mundial. Nele, constata-se que a homofobia causou um prejuízo de 32 bilhões de dólares ao Produto Interno Bruto (PIB) da Índia.

 

O Diretor Financeiro acredita que o lugar da pessoa LGBTI+ no mercado de trabalho precisa ser analisado em suas raízes. A não aceitação familiar e em espaços importantes, como o ambiente escolar são fatores que levam à falta de qualificação profissional dessas pessoas. Para Julio, este ciclo vicioso representa uma perda. “Quando nós apostamos em diversidade, mais competências são exploradas. Isto é, um ganho para as empresas e para a sociedade, de forma geral”, afirma.

 

MULTICOR: é da natureza de todas as cores

Robson Lourenço, Head do GCuCa, e Nicole Alice, Jovem Aprendiz GCuCa, ambos do Grupo Cataratas, apresentaram o Programa MULTICOR – Iniciativa que tem o propósito de inserir pessoas LGBTI+ no mercado de trabalho. Hoje, o Grupo Cataratas é considerado a maior companhia de ecoturismo do país, tem atualmente um quadro de 800 funcionários e, desse universo, 11 pessoas são membros da comunidade LGBTI+.

 

Para Robson Lourenço, o programa MULTICOR sela uma responsabilidade pessoal, social e profissional. “Eu, como gestor de empresa, tenho a responsabilidade de combater o preconceito. Para mim, é como a construção de um legado. Acredito que esta ação não seja positiva apenas para os 11 que entraram, mas para os 800 que compõem o nosso time”, afirma. Lourenço relata que o feedback dos gestores sobre o desempenho do time da MULTICOR é sempre muito positivo e que há pretensão de triplicar o número de colaboradores LGBTI+ por meio do programa.

Nicole Alice, Jovem Aprendiz do Grupo Cataratas, frisa que além de contratar, as empresas precisam sensibilizar o olhar do funcionário e tornar a cultura da empresa cada vez mais inclusiva. Assim, este se torna um lugar de acolhimento e não mais um de vitimização. “Não é só contratar essas pessoas, você precisa acolher, falar e trocar”, afirma Nicole.

 

A dominação masculina e os seus impactos na vida do LGBTQ+ nas organizações

Renan Moura, apresentou a pesquisa “A dominação masculina e seus impactos na vida de LGBTQ+ nas organizações”. O estudo traz à luz como os elementos de controle e dominação das organizações foram associados à figura masculina e como a sustentação deste padrão dá margem à variadas formas de violências simbólicas. Além disso, o estudo trouxe alguns dados que são importantes para o entendimento do cenário da diversidade no mercado de trabalho como: 60% das empresas difundem preconceito LGBTI+; apenas 10% disseram que a empresa tem ação efetiva para esse foco e 54% acredita que existe discriminação ainda que ela seja velada.

 

Segundo Moura, para que haja transformação é necessário que as organizações não vejam as políticas de inclusão e diversidade apenas com um olhar estratégico, mas sim como um propósito a fim mudar o posicionamento da sociedade e da própria cultura que permeia a organização.

 

Empregabilidade de pessoas trans

Na visão de Bruna Benevides, no que diz respeito à inclusão no mercado de trabalho, para além da contratação das pessoas LGBTI+, deve haver permanência. “Nós vivemos um ciclo vicioso em que uma mulher trans é admitida, entretanto se depara com um ambiente que não está pronto para recebê-la. Em muitos casos, elas precisam usar uniformes masculinos e são questionadas quando vão ao banheiro feminino, por exemplo. Esta violência faz com que essas mulheres não construam uma carreira sólida e se sintam desmotivadas para desempenhar suas funções”, afirma.

 

No entendimento de Bruna, para que o ciclo seja quebrado é necessário um investimento em capacitação e um novo olhar sobre a cultura da empresa. Para ela, essas iniciativas são necessárias, pois há uma diferença histórica em relação ao reconhecimento da mulher trans na sociedade e a sociedade espelha as organizações. “Nós vivemos uma diferença histórica. Ainda estamos lutando pelo processo de humanização”, conclui Bruna.