A importância das redes sociais para o terceiro setor
Com a falta de recursos financeiros, as redes sociais são excelentes alternativas de comunicação para o segmento

Muitos de nós já fomos impactados por algum post ou campanha digital de ONGs nas redes sociais. Mas, você sabe o porquê de as mídias sociais contribuírem tanto com elas?  Dessa vez, vamos falar um pouquinho sobre como as redes sociais podem ser fortes aliadas à divulgação dessas organizações.

Redes Sociais x Terceiro Setor

Facebook, LinkedIn, Instagram, Twitter, Telegram, Whatsapp, Pinterest, entre outras. Cada uma delas possui particularidades e até  um público específico. Segundo dados de uma pesquisa realizada pela Agência We Are Social, em parceria com a plataforma de mídia Hootsuite, o Instagram foi a quarta rede social mais usada no Brasil em 2019. Perde para o Youtube, Facebook e Whatsapp, em primeiro, segundo e terceiro lugar, respectivamente.  De acordo com os dados, a rede tem cerca de 1 bilhão de usuários no Mundo, no Brasil são quase 70 milhões.

Através dessas redes, milhares de pessoas são alcançadas rapidamente e, o melhor, há a possibilidade de fazer isso gratuitamente, de forma orgânica. É nesse sentido que as mídias sociais mostram sua importância para colaborar com as instituições sem fins lucrativos, onde é comum a falta de recursos financeiros. Nesse caso, a principal função das redes é engajar pessoas em prol desses entidades, fazendo com que as instituições fiquem mais próximas de atingir jovens e adultos, que passam maior parte do tempo on-line.

Os gestores das redes sociais precisam estar atentos às tendências, perfil da rede usada e buscar capacitação. A capacidade de criar um conteúdo relevante e bem apresentado fará diferença para o alcance do engajamento. Pesquisar, planejar, produzir textos e artes, pensar na abordagem e horário das postagens e, ainda, monitorar as mesmas, devem fazer parte da rotina do responsável pelas redes. Sensibilizar é palavra de ordem.

Redes da Maré: Campanha “Maré diz NÃO ao Coronavírus

A ONG Redes da Maré, que atende famílias em situação de vulnerabilidade no complexo formado por 16 favelas da Zona Norte do Rio de Janeiro, é um ótimo exemplo. Durante a pandemia da COVID-19 o projeto, que conta com mais de 18 mil seguidores no Instagram e cerca de 59 mil no Facebook, lançou a campanha “Maré diz NÃO ao Coronavírus”. A iniciativa contou com uma série de ações, entre elas atuações on-line. De acordo com Lidiane Malanquini, coordenadora da ONG, por meio de Whatsapp, as famílias realizaram cadastro para que pudessem receber o auxílio de cestas básicas. No primeiro mês, segundo Lidiane, mais de sete mil cestas foram distribuídas. “Nossa ideia é auxiliar essas famílias por três meses. Já entregamos a primeira etapa e, para a próxima distribuição, vamos tentar aumentar nosso escopo de atuação para 10 mil famílias contempladas”, comentou a coordenadora.

A ONG também atua como fonte oficial na divulgação da situação da COVID-19 na Maré. O Boletim “De olho no Corona!” é divulgado on-line, semanalmente e mostra uma análise da situação do vírus na localidade. Os dados são reunidos a partir do acompanhamento de casos e denúncias sobre acesso aos serviços de saúde, coletados diretamente pela equipe da área social da instituição. Já houve edição, por exemplo, abordando como a falta de testes e a ineficiência das políticas públicas proliferou a covid-19. Uma comparação dos dados oficiais com os apurados demonstram uma diferença de 193% nos casos suspeitos e de 65% no número de óbitos.

 Campanha de arrecadação para Focinhos de Luz

Vocês conhecem a Focinhos de Luz, uma casa de passagem para animais em situação de abandono, apoiada pela Usina da Comunicação, que abriga 120 animais entre cães e gatos? A ONG tem forte atuação nas mídias sociais, o que colabora bastante na divulgação de campanhas de adoção e arrecadação. Para que as divulgações sejam realizadas através das redes, a Focinhos conta com um time de voluntários que contribuem com posts, artes e monitoramento das mídias. No Instagram, são mais de 45 mil seguidores, já a página do Facebook soma mais de 40 mil curtidas.

Em janeiro do ano passado, a Focinhos lançou na internet uma campanha de arrecadação para custear gastos do espaço. A quantia pedida era de R$ 12 ao ano, ou seja, R$ 1 por mês. Os valores arrecadados foram fundamentais para ajudar com as graves consequências por conta das inundações sofridas em abril de 2019.

Em situação mais recente, no início do mês de março, assim como em abril de 2019, as fortes chuvas trouxeram grandes prejuízos para o abrigo. Ter uma comunicação integrada foi fundamental para a divulgação e, assim, arrecadar doações. Assessoria de Imprensa, rede de contatos, divulgação pelo Instagram e Facebook colaboraram com a disseminação da notícia sobre o acontecido. A partir disso, veículos grandes como Rede Globo, Jornais O Globo, Extra, e pessoas públicas como Luciano Huck, Marina Ruy Barbosa e Fiorella Mattheis tomaram conhecimento dos estragos e se mobilizaram nas redes para ajudar.

A campanha de divulgação atingiu, em pouco tempo, milhares de pessoas. Só no Instagram o número de seguidores subiu em mais de 5 mil pessoas. A vaquinha on-line conseguiu arrecadar dinheiro para, entre outras despesas, reformar o espaço do abrigo. Além disso, a Focinhos recebeu doações de medicamentos, ração e lares temporários.