Diversidade sexual, empregabilidade e produtividade
Atuar em um local onde não haja o reconhecimento da diversidade sexual é bastante prejudicial à saúde emocional e à performance do profissional

Me chamo Iron Ferreira. Sou jornalista e, atualmente, curso graduação em Relações Internacionais. Gosto muito de ler (suspense é o meu gênero favorito), assistir filmes (adoro suspense, terror, aventura e ficção científica), ouvir música, viajar, comer e aproveitar o que o mundo tem de melhor na minha opinião: a natureza. Sou um homem cis e gay.

Ao contrário do que muitos pensam, as pessoas que fazem parte de grupos historicamente marginalizados pela sociedade, como é o caso da população LGBTQIA+, não querem privilégios ou vantagens. A única coisa que exigimos é respeito! Talvez, para aqueles que não vivem a dura realidade de serem considerados como diferente em um país que mata um indivíduo dessa população a cada 23 horas, de acordo com uma pesquisa divulgada em 2019 pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), a necessidade de debater o tema possa ser confundida com o tal “mimimi” tão utilizado por uma parte da população que considero insensível

O preconceito e o medo de sermos rejeitados nos perseguem a todo instante, e não poderia ser diferente no ambiente profissional. Acho que todo gay, lésbica, bissexual, transexual, intersexual, entre outros, já sentiu medo de que seus colegas de trabalho ou seu chefe descobrissem a sua orientação sexual ou identidade de gênero. Um medo permanente de que nossa orientação sexual pudessem afetar o nosso desempenho na empresa ou mesmo motivar uma demissão. Eu já senti medo. E, acrescento, ninguém deveria ter receio disso, mas temos.

Embora o meu currículo não seja tão extenso, afinal, tenho 26 anos, já passei por algumas experiências profissionais que contribuíram bastante com o meu desenvolvimento técnico e social. Não sei se foi sorte ou se eu realmente pude escolher muito bem, mas o fato é que eu nunca sofri LGBTfobia durante a minha atuação profissional.

Infelizmente, essa não é a realidade da maioria, afinal  38% das empresas têm restrições para contratar integrantes dessa comunidade, segundo um levantamento do projeto Demitindo Preconceitos. A pesquisa, realizada com representantes da área de recursos humanos de 14 estados brasileiros, também mostra que menos da metade dos profissionais declaram a orientação sexual no trabalho.

Diversidade é sinônimo de produtividade

Trabalhar com medo da não aceitação dos demais e em um ambiente hostil afeta a saúde física e mental de qualquer pessoa. Além de impactar o rendimento diário do funcionário, o preconceito impede o seu crescimento profissional. Por outro lado, profissionais que se sentem acolhidos e têm liberdade para se expressar acabam se tornando mais confiantes, o que potencializa o seu desempenho. E vamos combinar: é o justo. Mas, o mercado segue exigindo bons argumentos, como o lucro e a produtividade, para convencer o tal topo da pirâmide – branca, masculina e hétero – a liberar verba para investir na mudança de cultura da empresa, de forma que a organização e seus componentes consigam aceitar e o dito diferente, ou seja, nós, a população LGBTQIA+.

Voltando aos números:  a diversidade no mercado de trabalho é diretamente proporcional ao aumento na produtividade. Em 2019, a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) realizou uma pesquisa para entender essa nova realidade. O resultado do levantamento mostrou que 47% das empresas que investem em diversidade alcançam soluções inovadoras para os seus negócios.

Ou seja, no âmbito competitivo dos negócios, a pluralidade é sempre bem-vinda. Afinal, ela impacta nas decisões e muda a maneira com que as grandes marcas e instituições olham para as pessoas e as suas necessidades, tornando a oferta de produtos e serviços mais democrática.

Por experiência própria digo: é muito gratificante atuar em um local que te receba bem e que te respeite, independentemente de qualquer característica. Vejo vantagem em criar relações sem preocupações, opinar sem medo de ser repreendido, ser sincero sobre o que sente em relação ao dia a dia profissional e ter liberdade em informar de que forma gostaria de ser chamado ou qual o melhor pronome para se referir a você.

Por outro lado, atuar em um local que te deixe desconfortável é bastante prejudicial à saúde. O profissional sente tensão o tempo todo, medo do julgamento, se sente desestimulado, incapaz e fica propenso a desenvolver transtornos mentais. Proporcionar e manter um ecossistema saudável, acolhedor e respeitoso de trabalho é dever do empregador!

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que 264 milhões de pessoas sofrem de depressão e ansiedade no mundo, o que causa uma perda de US$ 1 trilhão na economia mundial todos os anos. Os mesmos indicadores também apontam que para cada US$ 1 investido em ações que promovem melhorias na saúde e bem-estar mental dos colaboradores, US$ 4 são percebidos em ganhos com o aumento da produtividade.

Afirmo, com propriedade, que a diversidade enriquece a nossa visão de mundo. Lidar com pessoas diferentes, de origens distintas e vivências únicas transforma a maneira como enxergamos a realidade ao nosso redor. Com isso, nos tornamos mais sensíveis em relação às situações que não fazem parte da nossa experiência de vida, mas que afetam outros membros da sociedade.