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Dia do Direitos Humanos: em busca de um futuro com justiça social

Em 1950, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Hoje, mais de setenta anos depois, muito se evoluiu no debate sobre esse tema. No entanto, também é possível vermos novas questões surgirem na tentativa de deslegitimar a defesa dos direitos de cada indivíduo.


Se tornou comum lermos e ouvirmos que os direitos humanos existem para defender aqueles que vão contra a lei. No entanto, segundo Davi Silva, Doutor em Filosofia e Mestre em Direitos Humanos, este é um discurso distorcido e, na verdade, a aplicação dos direitos humanos possibilita analisar a conduta, tanto das autoridades, quanto dos indivíduos.


“Não podemos cair em erros ou distorções e, acima de tudo, nós podemos verificar quais momentos de crise, como na atual pandemia, os direitos humanos nos fornecem elementos necessários para que nós possamos julgar e reivindicar ações do Estado, das empresas e da sociedade civil em torno da melhoria da qualidade de vida e do bem estar social”, explica.

A desigualdade social e o racismo

No Brasil, a pandemia expôs ainda mais a desigualdade social e as deficiências presentes na construção política. Foi possível identificar carências na educação, na economia e no acesso à saúde básica. Esses problemas esbarram em um outro assunto que percorre a história do país desde a época de colonização: o racismo.

Para reverter e conter o avanço contínuo dessa prática, iniciativas como o Projeto SETA, uma aliança inovadora que terá como foco a construção de um Sistema de Educação Pública Antirracista no Brasil, passaram a ganhar a atenção da sociedade para construirmos um futuro mais equitativo e justo para todos e todas.

Direitos Humanos na comunicação

A comunicação pode ser uma das grandes aliadas na divulgação real do que são os direitos humanos, mas é preciso sanar questões ligadas à diversidade dentro dos próprios veículos.

Segundo a Pesquisa Racial da Imprensa Brasileira, apenas 20,10% dos jornalistas em redações espalhadas pelo Brasil se autodeclaram negros ou pardos. Isso vai contra os dados do IBGE, que estima que mais da metade da população brasileira seja não-branca, resultando em um jornalismo que, muitas das vezes, acaba discriminando e, consequentemente, não representando, boa parte da sociedade.

Para mudar esse cenário é preciso entender e reestruturar esses espaços, além de educar a população a respeitar o direito individual de todos. É necessário, também, ter os profissionais da área mais engajados com a temática, para que a transmissão seja mais fluida. Para simplificar e facilitar o entendimento, Davi Silva usa um conceito simples para repassar o verdadeiro significado dos direitos humanos.

“Os direitos humanos constituem aquela capa jurídica de proteção dos elementos básicos da vida em sociedade, mas não de qualquer vida. Trata-se de uma vida digna, qualificada, com bem estar, liberdade, igualdade e fraternidade”, afirma.

Por isso, garantir a aplicação correta dos direitos humanos é assegurar os direitos mínimos que todo o cidadão deve ter acesso, independente da sua cor, gênero, raça, orientação sexual, etnia ou classe social.