As redes sociais revolucionaram a forma como os usuários recebem informações sobre o mundo, inclusive, atualizações sobre marcas e tendências de consumo. Os influenciadores digitais se destacaram nesse cenário por apresentarem um meio de publicidade que divulga produtos que conversam com a sua audiência. Entretanto, atualmente, sobretudo após o avanço da inteligência artificial, uma nova tendência surgiu: os influenciadores virtuais.
Motivados pelo desenvolvimento da tecnologia, equipes de marketing e designers de algumas empresas investiram na criação de personagens virtuais, a fim de que estes pudessem interagir e divulgar produtos em seus próprios perfis nas plataformas, tal como um humano faria. E, apesar de personagens fictícios criados por organizações não serem novidade, os influenciadores virtuais da atualidade desafiam significativamente o conceito tradicional de celebridade.
Influenciadores virtuais x Influenciadores digitais
No universo das redes sociais, em que as relações se baseiam na interação entre usuários, os influencers conseguem aliar a conexão criada com seu público à capacidade de produzir uma comunicação interpessoal massiva para impactar diretamente nas decisões de compra dos consumidores. Nos últimos anos, o poder de persuasão dos perfis virtuais cresceu em comparação ao das celebridades humanas e dos anúncios nos meios de comunicação tradicionais.
De acordo com a Hype Auditor, plataforma de análise e gerenciamento para marketing de influenciadores, perfis digitais geram, em média, taxas de engajamento três vezes maiores do que influenciadores humanos em determinadas campanhas. Isso acontece porque essas figuras são 100% controladas pelas marcas, o que permite total alinhamento com valores, tom de voz e imagem institucional.
Exemplos de influenciadores virtuais brasileiros
O Brasil tem a mais antiga e maior influenciadora virtual do mundo, a Lu do Magalu, representante do varejo Magazine Luiza. A personagem estreou no Instagram em 2015 e, hoje, ostenta oito milhões de seguidores na rede. Ao analisar seu perfil, é possível identificar que ele simboliza mais do que uma garota propaganda: a figura demonstra sentimentos, se preocupa com causas sociais, apresenta voz ativa e costuma interagir com seus fãs, celebridades e até com outras marcas.
Outro case de sucesso brasileiro é o CB, perfil virtual das Casas Bahia. O personagem, que, por muitos anos, foi o mascote da rede, existe desde a década de 60 e passou por um rebranding, deixando de ser apenas uma caricatura da marca e se tornando um influenciador virtual. O perfil do adolescente tem chamado atenção ao incorporar humor e inovação em campanhas publicitárias.
Vale a pena investir na criação de um influenciador virtual?
A seguir, conheça quatro vantagens de apostar nesse modelo de influencer:
- Personalização: podem ser moldados de acordo com a estética das marcas, ajustando-se ao tom de voz, estilo e valores principais. Suas aparências podem ser modificadas para diversas campanhas ou eventos, atendendo às preferências de vários mercados-alvo;
- Consistência e alcance global: nunca envelhecem e não tiram férias. Os influenciadores digitais mantêm uma estética e personalidade consistentes indefinidamente, garantindo uma presença de marca confiável. Além disso, a linguagem deixa de ser uma barreira e eles podem ser usados em projetos internacionais sem preparação prévia;
- Livre de escândalos e controle total: como são criados artificialmente, cuidam mais da sua imagem que os influencers humanos. Os influenciadores virtuais não se envolvem em polêmicas, o que protege a reputação da sua marca e evita o risco de possíveis crises;
- Disponibilidade e flexibilidade: estão sempre disponíveis e podem estar presentes em várias plataformas simultaneamente. Além disso, podem ser inseridos em eventos reais e virtuais, e as empresas não precisam gastar com viagens, acomodação e alimentação.
Entretanto, assim como outras estratégias de marketing de marketing e comunicação, a iniciativa também apresenta pontos de atenção. Confira:
- Alto custo de desenvolvimento e dificuldades tecnológicas: a criação de um influenciador virtual exige um grande investimento inicial e conhecimento tecnológico de computação gráfica 3D, IA e animação. Além disso, o setor de tecnologia está crescendo exponencialmente e manter-se atualizado com as novas tendências e constantes atualizações exige tempo e esforço consideráveis;
- Ausência física: ao contrário dos influenciadores digitais, com pessoas reais, os virtuais não podem participar de eventos físicos e encontrar seus fãs;
- Ceticismo do público: as marcas precisam descobrir se o seu público-alvo tem uma percepção positiva dos influenciadores virtuais. Como eles não têm a capacidade de formar seus próprios pensamentos e ideias, e suas narrativas são fortemente influenciadas pelo posicionamento da empresa, sua existência pode gerar desconfiança nos seguidores.
Dessa forma, é possível afirmar que os influenciadores virtuais podem se tornar uma estratégia mais assertiva do que a publicidade clássica. Contudo, investir nesse nicho requer um planejamento que associe estratégia de negócios, recursos tecnológicos e consistência, já que o sucesso de um influenciador virtual não acontece de uma hora para outra. Para viralizar e se tornar relevante, as empresas precisam dedicar tempo e dinheiro ao perfil.
E aí, você já pensou em criar um influenciador virtual para o seu negócio?