GREVE DOS CAMINHONEIROS AFETA CLÍNICAS DE DIÁLISE
Sem a entrega de insumos, pacientes renais ficam sem tratamento

A greve dos caminhoneiros, que entrou no seu quarto dia nesta quinta-feira (24/05), já causas reflexos pelo país. E, as clínicas de diálise, que fazem o tratamento de terapia renal substitutiva (TRS) e mantêm a vida de mais de 110 mil pacientes renais começam a ser afetadas.

Em Governador Valadares (MG), as clínicas já estão em alerta, pois os insumos estão chegando ao fim e um caminhão carregado com capilares está parado em um dos bloqueios. Em Nova Friburgo (RJ), as clínicas já foram obrigadas a reduzir de quatro para três o número de horas da sessão de hemodiálise. As secretarias de saúde estadual, municipal e o ministério público já foram notificados.

A Associação Brasileira dos Centros de diálise e Transplante (ABCDT) faz um apelo à organizadora da paralisação, a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCAM), que considerem a fragilidade desse setor e o tratem de maneira especial, permitindo que os caminhões que transportam cargas com insumos e medicamentos passem pelas barreiras e cheguem até as clínicas.

Mas é muito importante ressaltar que mesmo que os caminhões consigam passar pelas barreiras, ainda enfrentarão o problema da falta de combustíveis. Com a paralisação, caminhões tanques não conseguem chegar aos postos para repor os estoques e já falta combustível em diversas cidades do país e as filas nos postos estão só aumentando.

No caso das clínicas de diálise o problema não é apenas econômico, são várias vidas que estão em jogo. Pois, para a realização de uma sessão de hemodiálise é preciso vários materiais e a falta de um item, por menor que seja, impede a realização do procedimento. Os pacientes renais crônicos dependem única e exclusivamente das sessões de hemodiálise para sobreviverem. O setor está em alerta máximo, devido a peculiaridade do serviço de diálise, sua continuidade e fragilidade do paciente.

É preciso que as autoridades deem uma atenção especial para essa situação, pois o setor pode entrar em colapso, com grande prejuízo à população assistida. Caso o Governo Federal, assim como o Ministério Público Federal não interfiram, milhares de vidas correm risco de morte.