Dia D da Diálise faz parte da campanha “Vidas Importam: a diálise não pode parar”
Ação será no dia 29/08, às 11h, na Cinelândia

O Dia D da Diálise, 29/08, quarta, às 11h, na Cinelândia, faz parte da campanha “Vidas Importam: a diálise não pode parar”, organizada pela Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT), com o apoio da Associação dos Renais e Transplantados do Estado do Rio de Janeiro (Adreterj).

O objetivo da campanha é chamar atenção para a crise que a falta crônica de financiamento adequado para a diálise no Brasil vem provocando. Afetando principalmente o acesso dos pacientes SUS ao tratamento.

“Nosso objetivo é conscientizar a população sobre o drama que aproximadamente 120 mil pacientes renais enfrentam no país. Temos problemas de várias ordens. São questões financeiras, questão do repasse de verba SUS, falta de vagas para realização de hemodiálise, falta assistência do Ministério da Saúde, dos estados e das prefeituras, que também não colaboram. Um tratamento que deveria ser gerenciado pelo governo fica na mão das clinicas privadas, que acabam fazendo o papel do SUS, mas com uma remuneração defasada. Na ponta, quem sofre e quem fica sem a devida assistência somo nós, pacientes. Precisamos da ajuda da população. Falta de hemodiálise ou tratamento sem qualidade podem levar a morte. Temos várias sugestões para melhorias e o governo precisa nos ouvir”, afirma Gilson Nascimento, presidente da Adreterj.

O Dia da Diálise será na quarta, dia 29/08, às 11h, na Cinelândia. O evento contará com a distribuição de material explicativo sobre os tratamentos, realização de aferição de pressão arterial, teste glicêmico e simulação de hemodiálise. A Adreterj ainda solicitou uma Audiência Pública na Assembleia Legislativa do Estado, às 13h30.

Vale ressaltar que a ação será realizada simultaneamente em diversas cidades brasileiras. Na região sul, Porto Alegre, Joinville, Blumenau, Itajaí e Florianópolis contarão com ações. São Mateus (ES), São José dos Campos (SP) e no Distrito Federal também haverá manifestação de pacientes e profissionais de saúde a favor da hemodiálise.

Brasil tem 122 mil pacientes renais crônicos

Estimativa da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) aponta que existem no Brasil aproximadamente 122 mil pacientes renais crônicos, que dependem do tratamento com terapia renal substitutiva para filtrar artificialmente o sangue. Entretanto, uma crise que se arrasta há anos pode provocar um colapso no atendimento. “Os pacientes com funcionamento renal comprometido dependem única e exclusivamente das sessões de diálise para sobreviverem”, afirma o presidente da Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT), Marcos Vieira.

Entre os problemas estão a falta de financiamento adequado para a diálise, a defasagem de 30% no custo da sessão de hemodiálise, atraso no repasse do pagamento da Terapia Renal Substitutiva (TRS) pelas Secretarias de Saúde estaduais e municipais aos prestadores de serviço ao Sistema Único de Saúde (SUS). Muitos gestores chegam a atrasar até mais de 30 dias para fazer o repasse após a liberação do recurso pelo Ministério da Saúde. Pela legislação, o pagamento deveria ser feito em cinco dias úteis.

Segundo Vieira, nos últimos anos, houve aumento de 71% no número de pacientes dependentes de diálises, enquanto a quantidade de clínicas cresceu apenas 15%.